domingo, outubro 17

Paixão #2

"Há uma paz, uma serenidade que não sei de onde nasce. Qualquer coisa que se aproxima de uma resignação, de uma aceitação absoluta. Talvez porque tome consciência de que lá, onde quero chegar, não se chega com palavras, as palavras atrapalham o caminho. Que para chegar lá, a esse lugar tão harmonioso, preciso deixar as palavras atrás de mim, calá-las. Abandonando as palavras nas minhas costas, livro-me da sua inerente ambiguidade, penetro numa zona onde não há verdade nem mentira, onde a dúvida avassaladora deixa de me perturbar. A verdade e a mentira só vivem nas palavras que eu digo sobre as coisas não nas coisas. Não sei se será disto que nasce uma paz, uma serenidade quando olho, como agora, para o que vejo sem qualquer vontade de compreender, simplesmente maravilhado porque algo se expõe infinitamente à minha frente."

(in Portokyoto)

Sem comentários:

Enviar um comentário