quinta-feira, junho 16

Another Language

Tudo isto tomou novas proporções. Se dantes procurava a oportunidade de sentir as ondas sonoras a atravessar-me o corpo, ao vivo e a cores. Agora fiquei cheia de sede pelas emoções transmitidas do palco até à plateia.

Tudo começou há 10 anos, quando roubava os CD's ao meu irmão e ia para o meio da sala ouvi-los. Só houve um que eu copiei para uma cassete. Porque o meu irmão era um pouco mais velho e ia sair de casa. Ia levar os CD's dali para fora. Este processo fez com que eu passasse a adolescência apaixonada por bandas mortas. Devorava música graças ao meu leitor de CD's de MP3. Enquanto as meninas dançavam ao som de kizomba eu delirava, de leitor na mão, a cantar "And it makes me float free, to feel how small my life must be".
Dez anos depois e dou por mim numa sala cheia de gente, a ouvir aquilo que seria uma pequena impressão da noite que iria ter. Quando entrei no Colombo a minha mente dizia-me "Ela está aqui, neste mesmo edifício, estás quase lá". Quando entrei na FNAC comecei a ouvi-la e instintivamente o meu passo tremido aumentou de ritmo. Naquele preciso momento lembrei-me de tudo, de todos os anos destes dez anos, que lamentei não ser mais velha. Congelei quando estive frente a frente com os dois e lamentei não ter conseguido dizer-lhes nada, mas pensando bem, seria impossível expressar-me.
À noite senti-me uma criança a que foi permitida ficar acordada até tarde, com os adultos, a experimentar pela primeira vez o que para eles era matar saudades. E o que eu vi não foi uma banda a entreter um grupo de pessoas. Eu vi um grupo de pessoas a partilhar emoções, como um todo. A câmara não conseguia estar parada, era impossível. Cada movimento, cada som, cada segundo eram dignos de apanhar. Mas tentar descrever, para quem não esteve presente, será praticamente impossível, nem o vou tentar fazer.

Sei que, agora, ao ouvir as mesmíssimas músicas, não voltará a ser o mesmo. A mente começa a desenvolver imagens, sensações e os arrepios surgem, acompanhados de um enorme sorriso na cara.

3 comentários:

  1. Arrepios... tantos arrepios! Naquela noite, tratou-se mesmo de outra linguagem, a que ultrapassa as meras palavras e sons. Foi a linguagem emocional, o matar saudades, o reencontro com eles e com uma parte de nós, que entretanto ficara lá para trás no tempo. Saímos felizes e cheios. Tenho tanto para lhe agradecer, pelos belíssimos registos fotográficos! E pelas palavras tão genuínas deste post :)

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  2. Costumo pensar que eles são a outra linguagem de que tanto preciso. Muito obrigado pela passagem :)

    (Agora ainda estive a ver vídeos de sábado, que vontade de voltar atrás no tempo. Que vontade!)

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